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Uma casa cheia de bichos é uma casa cheia de amor. Eles alegram o ambiente, são companheiros, nos ajudam a desestressar e são ótimos com as crianças. Tanto que, às vezes, parece que um pet só não é o bastante. Nem dois ou três.

Mas como saber se sua casa comporta vários animais? Afinal, não basta apenas trazê-los e ver no que dá. Para tratar os bichinhos com respeito e o cuidado que merecem, é preciso tomar algumas precauções.

A fotógrafa Cecília Bastos, de São Paulo, já teve três cachorros e seis gatos em casa e sabe muito bem quais são os privilégios e os problemas de uma pessoa nessa situação.

“Os bichos ajudaram muito com a criação da minha filha, hoje com 14 anos. Quando era pequena, às vezes, não queria comer. Aí eu ameaçava dar a comida aos cachorros e ela comia tudo! Aos 4 anos de idade, contava historinhas para eles e inventava que eram irmãos dela”, relata.

Mesmo com todas essas vantagens, hoje Cecília tem “apenas” três gatos e um cachorro em casa. “Não é fácil. O Lobo, meu dobermann, é o mais novo da casa e do tipo brincalhão. Os gatos, mais reservados, não gostam dele e agora só ficam no telhado e na garagem. Às vezes eles retaliam e fazem xixi fora da caixinha”, diz a fotógrafa.

Ela conta que a limpeza é o que dá mais trabalho e, por isso, tem um verdadeiro arsenal, com produtos específicos de pet shop. Cecilia não abriria mão de nenhum dos bichos, mas também não voltaria a ter nove deles em casa. Mas como alguém sem experiência pode fazer esse cálculo: quantos pets cabem no seu espaço?

Como cada casa é uma e as variáveis são infinitas, você precisa analisar seu caso e responder a pergunta por si própria. Mas não se preocupe. A veterinária Carol Rocha, fundadora da Pet Anjo, e a adestradora Giulianna Silva, da Cão Cidadão, mostram ponto a ponto o que você precisa considerar antes de aumentar a ninhada. Boa sorte!

(Foto: Getty Images)

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De quanto espaço você dispõe?
O tamanho da casa não é o fator mais importante na hora de decidir, mas pesa. “Não existe uma regra, mas é preciso bom senso. Assim como nós, os animais precisam de um espaço para eles, algo um pouco reservado para que possam dormir ou fazer suas necessidades. Quanto maior o número de animais, menor esse espaço. E essa falta pode ocasionar estresse e até briga entre os pets”, explica Giulianna.
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Qual a dinâmica da família?
Se vocês têm uma rotina imprevisível ou passam mais tempo fora do que dentro de casa, ter muitos pets não é aconselhável, pois eles ficarão sozinhos e sem atenção. “As pessoas têm a tendência de comprar um segundo animal quando o primeiro fica sozinho, mas isso costuma levar a problemas maiores, como uma relação conflituosa entre eles”, alerta Carol. Além disso, uma casa agitada gera pets agitados. “Os animais tendem a se moldar conforme as regras do lugar: se é barulhento, com crianças gritando e brincando em voz alta o tempo todo, isso causará um estresse maior no animal e, consequentemente, miados ou latidos de maior intensidade”, diz Giulianna.
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Qual a personalidade do seu pet?
Se você já tem um bichinho, avalie como ele se comporta quando está perto de outros animais. Ele é amigável e brincalhão, tenta cheirar os outros e abana o rabo ou é reativo, tem medo e tenta atacá-los? O comportamento dos pets na rua nem sempre se repete em casa, mas isso te dá uma boa dica do que esperar. Um pet nervosinho pode acarretar muita dor de cabeça quando você trouxer outros animais.
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O pet novo é filhote ou adulto?
“Filhotes exigem muito mais atenção e tempo e dão mais trabalho porque precisam brincar e serem ensinados. Além disso, você precisa dividir seu tempo entre o pet novo e os que já existem para não gerar um trauma”, diz Carol. Já os adultos podem ter manias e medos difíceis de lidar. “Faça um teste: coloque o novo animal em contato com os outros em um ambiente neutro para que se conheçam”, sugere a veterinária. 
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Filhos pequenos, o que fazer?
Crianças pequenas exigem atenção redobrada dos pais e supervisão constante. “Animais agem por extinto e, por mais dóceis e calmos que sejam, acidentes acontecem. Crianças não têm muita noção de como lidar com o animal e, sem querer, podem puxar o rabo ou pelos e tomar uma mordida”, explica Giuliana. Ou seja, além de ficar de olho no pet, você precisa ensinar seus filhos a lidarem com ele. Quando não estiver por perto, procure deixar os bichos na sacada ou no quintal.
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Tem tempo para dedicar?
Mais do que uma casa enorme ou um quintal, o fundamental é o tempo que você pode dedicar aos animais. Segundo Carol, o ideal é que um cão de grande porte fique numa casa grande, mas isso não é regra. “Uma pessoa que mora num apartamento de 70 m² pode ter um cachorro grande, mas terá que propiciar muito mais atividades a ele, como passear cinco vezes por dia ou brincar por uma hora. Tendo quintal, a frequência dessas atividades é menor”, esclarece. Ou seja, você tem que se comprometer a dar qualidade de vida para seu pet.
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Como foram os primeiros meses?
A veterinária Carol observa que os primeiros 4 meses de vida de um cão – e 2 de um gato – são um período em que o sistema nervoso não está completamente desenvolvido e, por isso, o animal está mais propenso a adaptações e novas experiências. Logo, se um bichinho ficou isolado nessa fase, é provável que se torne um cão pouco sociável, mais indicado para ser único numa casa. E, caso tenha tido contato com outros animais, estará propenso a ficar confortável com outros pets. 
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Como reunir os animais?
Existe bullying no mundo animal, acredite! Por isso, a adaptação entre os pets antigos e os novos é um momento crítico. Felizmente, para os donos de gatos, já existe no mercado um pulverizador e difusor de feromônios que apazigua os felinos em situações de estresse. Mesmo assim, todo pet precisa passar por um período de reconhecimento, que pode ser mais ou menos longo, dependendo da personalidade dos bichos em questão. “Não pode soltar o pet novo de qualquer jeito na casa. É preciso mantê-lo num cômodo separado e fazer a aproximação aos poucos. Se tiver uma porta de vidro, melhor. Se não, pode aproximá-los por cerca de 10 minutos por dia, sem contato direto, para que se vejam um pouquinho. É importante ter uma pessoa de cada lado e petiscos, para que os bichos façam associações positivas com o animal estranho”, aconselha Carol. 
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Tem esconderijos e cantinhos reservados?
Este é um item para donos de gatos. De acordo com Carol, os felinos se organizam por espaços: a sala é de um e o quarto do outro, por exemplo. Por isso, é importante que tenham camas separadas, esconderijos e um ambiente estimulante e com desafios (como prateleiras altas, coisas para escalar, janelas com vista para fora, abrigos etc.), sem falar em muitos lugares de água, comida e caixas de areia”, diz. Do contrário, os animais se tornam entediados e podem desenvolver problemas de comportamento e estresse.
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Adestramento é essencial?
Taí algo muito indicado quando se quer ter mais de um cachorro em casa, porque é uma forma de aumentar a linguagem dos cães, melhorando o relacionamento deles com a família e entre si. Os animais ficam mais calmos porque sabem como conseguir o que precisam e o lar se torna um ambiente mais tranquilo. A preocupação também deve existir quando há várias espécies de animais na casa, como pássaros e hamster, que não conseguem se defender de um ataque canino.
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Quanto dinheiro vai precisar?
O amor que temos aos bichinhos não tem preço, mas existe uma lista de gastos mensais na qual você precisa pensar, sim. Os custos incluem check-up veterinário uma vez a cada seis meses, banho mensal, passeios com profissionais (se necessário), ração de qualidade, possível suplemento ou vitamina e muitos brinquedos.
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E a limpeza?
Numa casa com muitos pets, o ideal é que a limpeza seja diária para o bem da pessoa e dos próprios animais, porque as chances de infecção por bactéria, bem como as de infestação de insetos, tendem a ser menores. A adestradora recomenda ainda tosas específicas em pet shops para conter a queda de pelos nos dois momentos do ano em que os cães e gatos fazem a “muda”, ou seja, trocam a pelagem. “Limpadores enzimáticos e bactericidas limpam urina e removem totalmente o cheiro, de modo que um bicho não sente o cheiro do outro”, diz Carol. É o fim da marcação de território!

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